o que ficou para dizer
[…] Adotei como endereço a distância. Talvez porque a distância seja o único lugar onde ainda consigo encontrá-la. Ou porque, de tão longe, as lembranças tenham aprendido a inventar você. Já não sei (...) Leia mais
[…] Adotei como endereço a distância. Talvez porque a distância seja o único lugar onde ainda consigo encontrá-la. Ou porque, de tão longe, as lembranças tenham aprendido a inventar você. Já não sei (...) Leia mais
Despedir-se talvez seja acordar um dia no quarto e descobrir que não se cabe dentro de si. Partir. Como se alguma coisa, estranhamente transformada, não permanecesse. Despedir-se pode ser um céu revolto, um vulto ou uma (...) Leia mais
[…] Quando você fez 75 anos, nos reunimos para celebrar. Todos juntos, na mesma casa, por três dias. Coisa de ciganos. No dia do seu aniversário, suas amigas vieram e comemoramos. Da manhã até a noite. (...) Leia mais
O destino ideal está nas mãos do “sistema”. Mas os humanos ocupam este ou aquele posto. Talvez seja essa a lição que permanece quando olhamos para a história: os sistemas mudam, os regimes passam, (...) Leia mais
queria ser doce mas acordei neste corpo sobrancelhas grossas olhos fundos queria ser agradável mas gaguejo tenho as costas curvas como quem nasce inacabado queria (...) Leia mais
No fim, ela fecha o livro como quem fecha uma janela durante uma tempestade que terminou. Embora a chuva ainda permaneça no cheiro das coisas. Demora alguns segundos olhando para a capa. (...) Leia mais
quero um amigo. meio. meio deprê. meio caolho. meio gordo. quase bonito. que me aguente. porque, se não, eu viro sumo. sumo de laranja chupada. sumo de sumô pós-bariátrica. meio (...) Leia mais
Ao banhar-me, costumo pensar o que não penso. É, quase sempre, uma oportunidade para refletir sobre o que me arranca e escorre pelas mãos: o tempo que caminha e se move no que vivo. Hoje lembrei (...) Leia mais
Minha alma é gorda. O corpo emagrece. Engorda. Envelhece. A alma, não. Aprendi cedo. Barriga vazia faz morada. Não vai embora. Só muda de lugar. Até hoje entro num mercado. Esqueço o preço. A (...) Leia mais
Os pés contam. Contam o tempo. Contam o jeito de pisar no mundo. Cada rachadura, uma travessia. Há um rio correndo dentro de toda gente. Um rio de dentro. Corre manso. Às vezes, transborda. Carrega barro, infância, (...) Leia mais
(…) Meu pai, quase como um mantra, repetia duas coisas; uma delas era anunciada quando algum “gatilho” do trabalho aparecia. Quase sempre em tom paroquial reproduzia: “o trabalho dignifica o homem”. Muito tempo depois, passado dos (...) Leia mais
eu te amo como és como és eu te amo te amo, como? és como és amo. és como te amo como amo és como Leia mais
A voz escrita não tem idade. Memória e imaginação alicerçam passos em conjunto e reproduzem a si mesmas. Talvez por isso, à exemplo do que J.M. Coetzze formula sobre sua própria memória ficcional em “Verão”, a escrita inspira recursos (...) Leia mais
Sem motivo ou razão definida, um dia comecei a beber água da poça. Sim, poça d’água, mas não qualquer uma. Era a mesma por onde passava todos os dias antes de chegar à escola. Apenas minha melhor (...) Leia mais