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o que ficou para dizer

[…]   Adotei como endereço a distância.   Talvez porque a distância seja o único lugar onde ainda consigo encontrá-la. Ou porque, de tão longe, as lembranças tenham aprendido a inventar você. Já não sei (...) Leia mais

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transumância

  Despedir-se talvez seja acordar um dia no quarto e descobrir que não se cabe dentro de si. Partir. Como se alguma coisa, estranhamente transformada, não permanecesse. Despedir-se pode ser um céu revolto, um vulto ou uma (...) Leia mais

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25 de janeiro de 2025

  […] Quando você fez 75 anos, nos reunimos para celebrar. Todos juntos, na mesma casa, por três dias. Coisa de ciganos. No dia do seu aniversário, suas amigas vieram e comemoramos. Da manhã até a noite. (...) Leia mais

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Dona Custódia

O destino ideal está nas mãos do “sistema”. Mas os humanos ocupam este ou aquele posto.   Talvez seja essa a lição que permanece quando olhamos para a história: os sistemas mudam, os regimes passam, (...) Leia mais

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quero mais do que convém

  queria ser doce mas acordei neste corpo sobrancelhas grossas olhos fundos   queria ser agradável mas gaguejo tenho as costas curvas como quem nasce inacabado   queria (...) Leia mais

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a idade das semi coisas

    No fim, ela fecha o livro como quem fecha uma janela durante uma tempestade que terminou. Embora a chuva ainda permaneça no cheiro das coisas.   Demora alguns segundos olhando para a capa. (...) Leia mais

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epígrafes

  [livro sobre a minha mãe]   “Não quero falar disso por medo de fazer literatura - ou sem estar certo de que não o será -, embora, de fato, a literatura se origine dessas verdades.”   (...) Leia mais

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ah não quero filosofar

quero um amigo. meio. meio deprê. meio caolho. meio gordo. quase bonito. que me aguente. porque, se não, eu viro sumo. sumo de laranja chupada. sumo de sumô pós-bariátrica. meio (...) Leia mais

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passando a perna

  Ao banhar-me, costumo pensar o que não penso. É, quase sempre, uma oportunidade para refletir sobre o que me arranca e escorre pelas mãos: o tempo que caminha e se move no que vivo. Hoje lembrei (...) Leia mais

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travessia

  poesia adormece / perturba páginas / pensamentos   música movimenta / sai ares / ambientes   teatro tomba / traveste travessias / peles   pintura (...) Leia mais

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Porca Gorda II

  Minha alma é gorda. O corpo emagrece. Engorda. Envelhece. A alma, não. Aprendi cedo. Barriga vazia faz morada. Não vai embora. Só muda de lugar. Até hoje entro num mercado. Esqueço o preço. A (...) Leia mais

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Rio de Dentro

Os pés contam. Contam o tempo. Contam o jeito de pisar no mundo. Cada rachadura, uma travessia.   Há um rio correndo dentro de toda gente. Um rio de dentro. Corre manso. Às vezes, transborda. Carrega barro, infância, (...) Leia mais

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Adamastor

  I   Depois do constrangimento do fracasso, ouviu a sentença antes que a porta de casa se fechasse: “Você fecha a boca”. Saiu conduzido pelo próprio olhar, como se a rua ainda pudesse lhe (...) Leia mais

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Trieste

  Meu coração de metal veio do interior do mundo. De uma cidade pequena, dessas que ninguém procura, dessas que desaparecem do mapa antes de serem desenhadas. Um dia cheguei às ruas imundas da cidade grande. Caminhei (...) Leia mais

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mentiras

[…]   Menti para ela. O esquecimento mata o hospedeiro. No começo não foi fácil. Minúsculas mentiras. Até que o tempo começou a desabar. Gestos miúdos do cotidiano. Ela arrancava os botões das roupas, não sabia (...) Leia mais

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piso liso

verifico o chão busco algo indizível que justifique a minha queda ando com a alma gorda e gosto da segurança da danação bifurco na memória imagens do passado fotografias do presente numa imensa vontade de chorar e celebrar (...) Leia mais

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arrimo de familia (história do pai)

  (…) Meu pai, quase como um mantra, repetia duas coisas; uma delas era anunciada quando algum “gatilho” do trabalho aparecia. Quase sempre em tom paroquial reproduzia: “o trabalho dignifica o homem”. Muito tempo depois, passado dos (...) Leia mais

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uma casa

  Uma casa viva tem sons e silêncios que ecoam em seus cômodos. A descarga, a persiana, a máquina de lavar, a louça na pia, a obra incompleta, a gota d’água que pia na (...) Leia mais

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sorte grande

  eu te amo como és como és eu te amo te amo, como? és como és amo. és como te amo como amo és como Leia mais

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o luto de uma mãe

A voz escrita não tem idade. Memória e imaginação alicerçam passos em conjunto e reproduzem a si mesmas. Talvez por isso, à exemplo do que J.M. Coetzze formula sobre sua própria memória ficcional em “Verão”, a escrita inspira recursos (...) Leia mais

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poça d’água

  Sem motivo ou razão definida, um dia comecei a beber água da poça. Sim, poça d’água, mas não qualquer uma. Era a mesma por onde passava todos os dias antes de chegar à escola. Apenas minha melhor (...) Leia mais

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