Se o homem persistisse em sua loucura, tornar-se-ia sábio. William Blake
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Desmontei os desejos. Era como se estivesse por um tempo adormecida ou quase-morta. O desejo de escrever também se foi. Assim como a vontade de levantar, de fazer qualquer coisa. Não sabia o fazer naquele momento. Paralisei. Deixei os compromissos de lado e os comprimidos me assumiram. Foi após a morte da minha filha que me deparei com partes desconhecidas de mim mesma. Tem uma parte que mim que choraminga à noite. Eu gravei algumas coisas, mas poucas recordações preservei. Acho que apropriei de ideias alheias, e fiquei desconfiada de mim mesma. Procurei por opiniões médicas. A melhor foi a hipótese que um deles ofereceu: síndrome de Takotsubo mental. Não existe oficialmente isso, mas foi uma analogia que ele criou. O interesse é que essa síndrome me liberta de várias formas. Cria uma imunidade ao luto e a perda, principalmente o inesperado. Dissolve discussões familiares, exclui a possibilidade de abuso psicológico. Por fim, imuniza o pânico, medo e ansiedade. Portanto, nada me escapa. Preciso de uma casa para recuperar minha história.