até o que não se sabe


Publicado em
Texto por
Severo Garcia

Será que vou ser um desses que, antes de morrer, tem que conviver com colostomia, fralda, saquinho de xixi, rotina de consultório médico, internação na UTI, reincidência de câncer, reinternações, até morrer numa cama de hospital? Não sei. E não preciso saber.

Estou entre a maior parte das pessoas: prefiro não pensar que vou morrer.

A certeza de que o corpo acaba é uma questão que envolve religião, política, economia, filosofia etc. Talvez, se não tivéssemos fim, não teríamos o mesmo modo de agir: o desejo de perseverar.

Ignoramos a realidade da morte. Quem se alegraria em saber que poderia morrer com dor, ou em agonia? O fim não é um alívio, mas o começo do desconhecido.

A zona de conforto se estabelece num acordo entre o impensável e a negação. Alguns escrevem bilhetes na partida. Que palavras podem carregar os últimos pensamentos de uma vida? É impossível ter uma frase que defina tudo, mas eis um fetiche: definir tudo o que se vê, o que se sente e o que se pode. A cada momento se encontra um caminho que leva a pessoa a lugares diferentes. Movimento incerto e incessante. Eis a vida: um amontoado de encontros e pensamentos erráticos.

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