[Vence quem resiste]
Já era tempo de compreender e sentir que também é necessário abraçar a alegria. Dizer isso em voz alta ainda me soa estranho. Parece coisa de filme da “sessão da tarde”, daqueles dos anos 1980 ou 1990, talvez com o Tom Hanks desajeitado e carismático.
Por muito tempo, a alegria foi um sentimento nostálgico: eu precisava consultar as memórias em que fui feliz para tentar ser feliz de novo. Um modo de existir que, hoje, reconheço como insuficiente. Felicidade não é um projeto, não é um “querer ser”; é acontecimento, instante, presença. É, ou não é. Ser feliz é estar.
Há algo de flerte entre felicidade e liberdade. E talvez o amor seja justamente o medo ou o desejo de ambas. O amor é conexão, e conexões nem sempre são livres. Estar feliz é um estado de ser, atributo que nem sempre o amor oferece a paz para esse encontro.
O amor também pode trazer tormentas. Por um tempo deixei de rir das pequenas bobagens. Me tornei séria demais. Vesti a armadura do trabalho para blindar alguns dores. Sei que muitos pensamentos me arrastam para perdas e frustrações, mas abraçar esse álibi seria me enganar para sempre. Há um momento em que se é necessário parar de se esconder. Preciso encarar meu passado e buscar minha redenção.