sobre números, nomes e abandono


Publicado em
Texto por
Severo Garcia

Os números de presos passam a nos impactar cada vez menos. São mais de 500. Fala-se de uma capacidade acima do imaginável. Mas o sistema penitenciário se faz viável numa realidade questionável. O que nos dizem os números da superlotação? Pode ser num presídio, numa penitenciária… Eu saberia o nome de 500 indivíduos? São vítimas? Produtos e produtores de um sistema espantosamente vivo e fluido. Quem se importa com pessoas privadas de liberdade? Mães. Não todas, mas são as mães [do cárcere, da militância, das escolas, das igrejas, das comunidades] que não arredam pé da vida dos seus filhos e de suas filhas. Uma mãe é um lugar incontestável. Quem joga spray de pimenta em uma mãe? Quem desce a porrada na cara de uma mãe? Quinhentos filhos da mãe, filhos de pais [ocultos ou ausentes, em sua maioria], filhos num destino improvável, filhos da insegurança, do fascínio pelo poder. Mães e filhos à deriva de um Estado. Famílias abandonadas, esquecidas, humilhadas. Quem ainda se impacta com a vida e suas liberdades talvez pareça pessimista, mas insiste em fazer algo diferente. “Cada detento, uma mãe, uma crença”.

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