Escrevo poemas no sol
para martelar o telhado corrugado.
Meu pai tosse no quarto dos fundos,
escuta as notícias no rádio.
O poema aquece a lembrança,
aproxima o sentimento.
Minha mãe serve um copo d’água,
engole seus remédios.
Penso nas palavras desviadas,
será que tudo já foi dito?
Eles se esbarram no corredor da casa,
não trocam olhares
e seguem seus caminhos.