Adamastor


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Severo Garcia
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Severo Garcia

 

I

 

Depois do constrangimento do fracasso, ouviu a sentença antes que a porta de casa se fechasse: “Você fecha a boca”.

Saiu conduzido pelo próprio olhar, como se a rua ainda pudesse lhe oferecer alguma salvação. Caminhou entre a calçada e a lama sem conseguir desalojar a culpa. Tudo havia sido adiado.

Naquele tempo, morava do lado da ponte e tudo parecia encalhar quando passava por ali.

Na Rua do Crematório dos Animais, perto de Belém Novo, em Porto Alegre, decidiu partir.

Fátima era a salvação.

 

II

 

Quando precisava, ela não aparecia. Quando aparecia, já não era preciso.

Uma vez abatida, disse : “Eu apanhava por lazer do meu pai”.

Depois disso, as suas ausências nunca mais pareceram as mesmas.

A dependência torna o outro importante.

Fátima, cadê você?

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