I
Depois do constrangimento do fracasso, ouviu a sentença antes que a porta de casa se fechasse: “Você fecha a boca”.
Saiu conduzido pelo próprio olhar, como se a rua ainda pudesse lhe oferecer alguma salvação. Caminhou entre a calçada e a lama sem conseguir desalojar a culpa. Tudo havia sido adiado.
Naquele tempo, morava do lado da ponte e tudo parecia encalhar quando passava por ali.
Na Rua do Crematório dos Animais, perto de Belém Novo, em Porto Alegre, decidiu partir.
Fátima era a salvação.
II
Quando precisava, ela não aparecia. Quando aparecia, já não era preciso.
Uma vez abatida, disse : “Eu apanhava por lazer do meu pai”.
Depois disso, as suas ausências nunca mais pareceram as mesmas.
A dependência torna o outro importante.
Fátima, cadê você?