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	<title>Severo Garcia</title>
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	<description>Boas-vindas ao nosso website</description>
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		<title>uma casa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Severo Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 May 2026 01:48:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Poesias]]></category>
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					<description><![CDATA[&#160; Uma casa viva tem sons e silêncios que ecoam em seus cômodos. A descarga, a persiana, a máquina de lavar, a louça na pia, a obra incompleta, a gota d’água que pia na pia. &#160; Uma casa é uma <a class="leia-mais" href="https://www.severogarcia.com.br/uma-casa/">&#8230; <i class="fa fa-plus-square"></i> Mais</a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Uma casa viva tem sons e silêncios que ecoam em seus cômodos.</p>
<p>A descarga, a persiana,</p>
<p>a máquina de lavar, a louça na pia,</p>
<p>a obra incompleta,</p>
<p>a gota d’água que pia na pia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uma casa é uma quimera,</p>
<p>uma sinfonia de energia.</p>
<p>É a minha gente, é um retorno,</p>
<p>um espaço aberto ao tempo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quando numa casa não há teto</p>
<p>o mundo acaba inacabado,</p>
<p>num nublado de realidade.</p>
<p>O assoalho gasto, a terra batida,</p>
<p>vagueiam a cada dia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uma casa guarda.</p>
<p>Um sonho do que acontecia.</p>
<p>Um fato que muda de lado.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>sorte grande</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Severo Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 May 2026 00:37:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Poesias]]></category>
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					<description><![CDATA[&#160; eu te amo como és como és eu te amo te amo, como? és como és amo. és como te amo como amo és como]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">eu te amo como és</p>
<p style="text-align: center;">como és</p>
<p style="text-align: center;">eu te amo</p>
<p style="text-align: center;">te amo,</p>
<p style="text-align: center;">como?</p>
<p style="text-align: center;">és como és</p>
<p style="text-align: center;">amo.</p>
<p style="text-align: center;">és como</p>
<p style="text-align: center;">te amo</p>
<p style="text-align: center;">como amo</p>
<p style="text-align: center;">és como</p>
<p style="text-align: center;">
]]></content:encoded>
					
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		<title>o luto de uma mãe</title>
		<link>https://www.severogarcia.com.br/o-luto-de-uma-mae/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Severo Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 May 2026 23:24:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
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					<description><![CDATA[A voz escrita não tem idade. Memória e imaginação alicerçam passos em conjunto e reproduzem a si mesmas. Talvez por isso, à exemplo do que J.M. Coetzze formula sobre sua própria memória ficcional em “Verão”, a escrita inspira recursos do <a class="leia-mais" href="https://www.severogarcia.com.br/o-luto-de-uma-mae/">&#8230; <i class="fa fa-plus-square"></i> Mais</a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>A voz escrita não tem idade. Memória e imaginação alicerçam passos em conjunto e reproduzem a si mesmas. Talvez por isso, à exemplo do que J.M. Coetzze formula sobre sua própria memória ficcional em “Verão”, a escrita inspira recursos do inconsciente. Ter consciência excessiva de si mesmo pode interromper certos movimentos. Nossas histórias de vida nos pertencem, dentro dos limites do real, são também construções que elaboramos como podemos. Outra ideia que, talvez, Coetzee reconheceria.</p></blockquote>
<p>Sempre me identifiquei com aquilo que não compreendi por inteiro. Às vezes, não entender tudo é quase uma forma de salvação.</p>
<p>Lendo “Diário de Luto”, de Roland Barthes, conjuguei algumas reflexões sobre o luto de uma mãe. Perder uma mãe é uma dor que não se desfaz por completo. Não se aprende o momento exato em que se nasce, mas é sempre por ela que se retorna ao mundo, como se o nascimento insistisse.</p>
<p>Elas permanecem nas margens dos cadernos, nos gestos repetidos sem consciência, nas palavras que ainda nos atravessam quando já não há quem as diga. Quem são as mães que partem? O que delas continua?</p>
<p>Talvez sejam isso: uma crença silenciosa que os filhos e as filhas carregam sem saber, uma espécie de fé sem nome. Como se, ao perder a mãe, algo da própria origem se tornasse irrecuperável e oculta.</p>
<p>Uma mãe é uma herança .</p>
<p>Quando uma mãe morre, não é uma vida que se encerra, mas muitas que se deslocam, que se reorganizam.</p>
<p>Aceitar sua partida é compreender um pouco mais a própria morte. Reconhecer que ela já nos habita, e que, desde então, viver passa a ser também aprender a perdê-la, pouco a pouco, dentro de si. É, simultaneamente, carregar e caminhar em alguma direção alheia.</p>
<p>Uma mãe alimenta. Qualquer que seja a espécie, ela instintivamente dá de comer a sua prole.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>poça d’água</title>
		<link>https://www.severogarcia.com.br/poca-dagua/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Severo Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 May 2026 01:15:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Prosas Poéticas]]></category>
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					<description><![CDATA[&#160; Sem motivo ou razão definida, um dia comecei a beber água da poça. Sim, poça d’água, mas não qualquer uma. Era a mesma por onde passava todos os dias antes de chegar à escola. Apenas minha melhor amiga sabia, <a class="leia-mais" href="https://www.severogarcia.com.br/poca-dagua/">&#8230; <i class="fa fa-plus-square"></i> Mais</a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Sem motivo ou razão definida, um dia comecei a beber água da poça.<br />
Sim, poça d’água, mas não qualquer uma. Era a mesma por onde passava todos os dias antes de chegar à escola. Apenas minha melhor amiga sabia, pois íamos juntas todas as manhãs. A mesma poça segura.</p>
<p>Aquela água matava a minha sede d’alma. Não era turva nem barrenta. A superfície permanecia límpida, quase silenciosa. Ela só perguntou, na primeira vez, por que eu me acocorava para beber daquela água, naquela poça. Não soube responder.</p>
<p>A melhor pausa do caminho pode ser um buraco cheio d’água.</p>
<p>Com as mãos em forma de concha, eu bebia como se a água fosse acabar. A poça não era funda. Dias felizes eram dias de chuva  ou aqueles que vinham depois das tempestades.</p>
<p>No final do ano, a rua foi asfaltada.<br />
E eu nunca mais bebi daquela mesma água.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>corpo e papel</title>
		<link>https://www.severogarcia.com.br/corpo-e-papel/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Severo Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 02:02:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
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					<description><![CDATA[(…) &#160; A condição de doente, no aparato da racionalidade médica, se traduz numa língua estrangeira com exames de imagem, testes laboratoriais, medições de marcadores tumorais, entre escassas apalpações e toques. A palavra-doença tem vocabulário e classificação própria. Começo a <a class="leia-mais" href="https://www.severogarcia.com.br/corpo-e-papel/">&#8230; <i class="fa fa-plus-square"></i> Mais</a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">(…)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A condição de doente, no aparato da racionalidade médica, se traduz numa língua estrangeira com exames de imagem, testes laboratoriais, medições de marcadores tumorais, entre escassas apalpações e toques. A palavra-doença tem vocabulário e classificação própria.</p>
<p>Começo a aprender os limites dos discursos que cercam o sentido daquela experiência: a demência como derrota; a demência como um mal omisso; a demência como elemento brando no cotidiano. Esses discursos que circulam em algumas culturas e que podem adquirir sentido quando necessário são parciais e não refletem a parte oculta e silenciosa, no assoalho que se esfarela a cada pisada.</p>
<p>O corpo da minha mãe é dividido por dois grandes departamentos e seus supervisores. Há os especialistas em coração e os em cérebro.</p>
<p>É curioso, mas minhas duas avós também tiveram suas experiências de demência. Uma delas faleceu por conta de um câncer no ovário. Ela já não se locomovia, passando praticamente todo o tempo em seu leito ou na cadeira de rodas. Provavelmente esqueceram de outros departamentos dela.</p>
<p>Quem dera a minha mãe poder ser compreendida para além de sua doença.</p>
<p>A fronteira entre o corpo e a mente é a maior ficção ontológica da civilização. A ilusão da realidade define a angústia da loucura. Mas não é o corpo esfacelado, ainda que reivindique uma totalidade, que importa. O corpo-papel, o corpo-interior, esse se mistura.</p>
<p>Meu patrimônio são as memórias da minha mãe. Embora, nessa condição, eu só possa encarar essas memórias como minhas e elaborar aquilo o que é nosso. Assumir os lugares sinuosos de uma narrativa à margem das histórias.</p>
<p>Onde minha mãe está?</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>vagalumes</title>
		<link>https://www.severogarcia.com.br/vagalumes/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Severo Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Apr 2026 17:34:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
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					<description><![CDATA[&#160; Se a palavra flexibiliza as imperfeição que o mundo apresenta, a escrita alicerça e assenta o que insiste em mudar. Escrever estabiliza a imagem, o som e a sensibilidade. E a palavra escrita funda uma forma no que escapa <a class="leia-mais" href="https://www.severogarcia.com.br/vagalumes/">&#8230; <i class="fa fa-plus-square"></i> Mais</a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Se a palavra flexibiliza as imperfeição que o mundo apresenta, a escrita alicerça e assenta o que insiste em mudar.</p>
<p>Escrever estabiliza a imagem, o som e a sensibilidade. E a palavra escrita funda uma forma no que escapa a todo instante.</p>
<p>Qualquer coisa escrita pode ser inventada pela liberdade do lampejo.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>frontera</title>
		<link>https://www.severogarcia.com.br/frontera/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Severo Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Apr 2026 00:28:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Poesias]]></category>
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					<description><![CDATA[&#160; A distância… O esquecimento… A ausência… O fora… A casa… O tempo… A gente… O instante… A terra… O horizonte… Cada um, ao mesmo tempo, nós mesmos. Cada corpo, enviesado, um último sopro.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>A distância…</p>
<p>O esquecimento…</p>
<p>A ausência…</p>
<p>O fora…</p>
<p>A casa…</p>
<p>O tempo…</p>
<p>A gente…</p>
<p>O instante…</p>
<p>A terra…</p>
<p>O horizonte…</p>
<p>Cada um,</p>
<p>ao mesmo tempo,</p>
<p>nós mesmos.</p>
<p>Cada corpo,</p>
<p>enviesado,</p>
<p>um último sopro.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>sobre números, nomes e abandono</title>
		<link>https://www.severogarcia.com.br/sobre-numeros-nomes-e-abandono/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Severo Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Apr 2026 02:31:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
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					<description><![CDATA[Os números de presos passam a nos impactar cada vez menos. São mais de 500. Fala-se de uma capacidade acima do imaginável. Mas o sistema penitenciário se faz viável numa realidade questionável. O que nos dizem os números da superlotação? <a class="leia-mais" href="https://www.severogarcia.com.br/sobre-numeros-nomes-e-abandono/">&#8230; <i class="fa fa-plus-square"></i> Mais</a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os números de presos passam a nos impactar cada vez menos. São mais de 500. Fala-se de uma capacidade acima do imaginável. Mas o sistema penitenciário se faz viável numa realidade questionável. O que nos dizem os números da superlotação? Pode ser num presídio, numa penitenciária… Eu saberia o nome de 500 indivíduos? São vítimas? Produtos e produtores de um sistema espantosamente vivo e fluido. Quem se importa com pessoas privadas de liberdade? Mães. Não todas, mas são as mães [do cárcere, da militância, das escolas, das igrejas, das comunidades] que não arredam pé da vida dos seus filhos e de suas filhas. Uma mãe é um lugar incontestável. Quem joga spray de pimenta em uma mãe? Quem desce a porrada na cara de uma mãe? Quinhentos filhos da mãe, filhos de pais [ocultos ou ausentes, em sua maioria], filhos num destino improvável, filhos da insegurança, do fascínio pelo poder. Mães e filhos à deriva de um Estado. Famílias abandonadas, esquecidas, humilhadas. Quem ainda se impacta com a vida e suas liberdades talvez pareça pessimista, mas insiste em fazer algo diferente. “Cada detento, uma mãe, uma crença”.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>ressonância</title>
		<link>https://www.severogarcia.com.br/ressonancia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Severo Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Mar 2026 02:13:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
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					<description><![CDATA[(…) &#160; Téc-téc-téc. Croc-croc-croc. Tum. Clac-clac. A máquina martela os ouvidos. Como cheguei até aqui? Foi ela. Ela e minha fantasia. Foram elas, as avós das minhas avós, e toda minha história familiar que me impulsionaram a estar dentro desta <a class="leia-mais" href="https://www.severogarcia.com.br/ressonancia/">&#8230; <i class="fa fa-plus-square"></i> Mais</a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>(…)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Téc-téc-téc. Croc-croc-croc. Tum. Clac-clac.</em></p>
<p>A máquina martela os ouvidos.</p>
<p>Como cheguei até aqui? Foi ela. Ela e minha fantasia. Foram elas, as avós das minhas avós, e toda minha história familiar que me impulsionaram a estar dentro desta máquina de ruídos. Eram tantos que cheguei a cochilar, como se estivesse dentro de uma cápsula, protegido do mundo. Um paradoxo: dormir enquanto o mundo está ruindo.</p>
<p>Dentro daquela caixa de metal, sem saber, reservei um momento íntimo e profundo para mim. Sem qualquer interferência, talvez por quinze ou vinte minutos &#8211; tempo só para mim &#8211; cochilei e aceitei a solidão.</p>
<p>Para alguns, a ressonância pode ser uma experiência desconfortável e fóbica. Para mim, foi como se tivesse recebido um convite para desligar. Mas acendi as ideias. E foi assim que achei que deveria começar a contar a nossa história.</p>
<p>Como se narra a vida de uma mulher comum? O que fazer com as memórias da minha mãe?</p>
<p>A forma como encaramos as situações indica os caminhos que estamos atravessando. É pela palavra que acesso o tempo das histórias, um caminho entre distâncias e esquecimentos. E, às vezes, é na ausência que tudo parece mais vivo.</p>
<p>Só posso escrever essas histórias como filho. Planejo uma arqueologia de silêncios e sons. Um sotaque gaúcho, do interior, do sul do Brasil. Foi aquela máquina ruidosa que serviu de marco zero.</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>galeria do comércio</title>
		<link>https://www.severogarcia.com.br/galeria-do-comercio/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Severo Garcia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Mar 2026 01:41:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ensaios]]></category>
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					<description><![CDATA[&#160; Eles se conheceram no “comércio”. Era assim que se dizia em nossa casa. O comércio funcionava como uma espécie de entidade. Santa Maria carregava título da cidade dos universitários &#8211; a Universidade Federal de Santa Maria, fundada em 1960, <a class="leia-mais" href="https://www.severogarcia.com.br/galeria-do-comercio/">&#8230; <i class="fa fa-plus-square"></i> Mais</a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Eles se conheceram no “comércio”. Era assim que se dizia em nossa casa. O comércio funcionava como uma espécie de entidade.</p>
<p>Santa Maria carregava título da cidade dos universitários &#8211; a Universidade Federal de Santa Maria, fundada em 1960, foi a primeira universidade federal fora das capitais &#8211; e o de cidade dos militares, pela concentração de quartéis e a base aérea. Havia ainda uma terceira narrativa, pelo menos dentro de casa: a de que os comerciários também mediam forças com esses dois mundos.</p>
<p>Meus pais se conheceram em um café, no calçadão, na galeria do comércio. Um café de intervalo. Um encontro casual entre trabalhadores. Ela, balconista. Ele, aspirante a contador. Ambos vindos de famílias pobres.</p>
<p>Depois que se casaram, ela deixou o balcão e foi para trás do tanque. Tornou-se “do lar”. Demorou a voltar a estudar. Durante o dia cuidava dos filhos, à noite estudava.</p>
]]></content:encoded>
					
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