Ao banhar-me, costumo pensar o que não penso. É, quase sempre, uma oportunidade para refletir sobre o que me arranca e escorre pelas mãos: o tempo que caminha e se move no que vivo.
Hoje lembrei dos mestres. Daqueles e daquelas que ensinam sem sequer se anunciarem. Livros, filmes, lugares, trilhas e pequenos detalhes que não estão explícitos. São presentes implícitos. Aquele livro do Foucault que hoje está gasto. Aquele filme francês sobre as comunas francesas, com Gerard Depardieu. O álbum Araçá Azul, do Caetano Veloso. A poesia do Chacal.
Mas talvez seja tudo fruto da minha imaginação, da minha experiência de uma realidade fantasiosa. Não sei. Tenho tantos planos que mestres e mestras andam juntos na minha consciência.
Com o tempo, tornei-me professor, poeta, pai e pesquisador, não necessariamente nessa ordem. Esse quadrilátero me mantém numa ventania. É o que sou. É no que estou. Cambiando. Bailando.
Qual dessas funções sumirá com o tempo? Não sei. Calma. Não sabemos.