poça d’água


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Texto por
Severo Garcia
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Severo Garcia

 

Sem motivo ou razão definida, um dia comecei a beber água da poça.
Sim, poça d’água, mas não qualquer uma. Era a mesma por onde passava todos os dias antes de chegar à escola. Apenas minha melhor amiga sabia, pois íamos juntas todas as manhãs. A mesma poça segura.

Aquela água matava a minha sede d’alma. Não era turva nem barrenta. A superfície permanecia límpida, quase silenciosa. Ela só perguntou, na primeira vez, por que eu me acocorava para beber daquela água, naquela poça. Não soube responder.

A melhor pausa do caminho pode ser um buraco cheio d’água.

Com as mãos em forma de concha, eu bebia como se a água fosse acabar. A poça não era funda. Dias felizes eram dias de chuva  ou aqueles que vinham depois das tempestades.

No final do ano, a rua foi asfaltada.
E eu nunca mais bebi daquela mesma água.

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