verifico o chão
busco algo indizível
que justifique a minha queda
ando com a alma gorda
e gosto da segurança da danação
bifurco na memória
imagens do passado
fotografias do presente
numa imensa vontade
de chorar e celebrar
as palavras andam soltas
prontas para serem amarradas
umas às outras
mas meus passos cismam
escorregam e derrapam
em invisíveis peças soltas
que caem dos meus bolsos